Nubank ou Banco Inter: por que ROXO34 dispara enquanto INBR32 ainda cai 40%?

Nubank ou Banco Inter? A comparação voltou ao centro das atenções depois da forte reação das ações do Nubank ao resultado do segundo trimestre de 2026. O balanço trouxe crescimento expressivo de receita, lucro recorde e uma melhora importante na rentabilidade depois do risco de crédito.

Enquanto ROXO34 conseguiu recuperar boa parte das perdas acumuladas em 2026, o BDR do Banco Inter, INBR32, continua muito mais pressionado no ano.

A diferença chama atenção porque não estamos comparando uma empresa que cresce com outra que está encolhendo.

O Banco Inter também vem aumentando receita, lucro, carteira de crédito e retorno sobre patrimônio. No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, o banco já havia alcançado R$ 395 milhões de lucro e ROE de 15,5%, mantendo uma trajetória de crescimento dos resultados.

Então surge uma questão mais interessante do que simplesmente olhar qual ação caiu ou subiu:

por que o mercado aceita pagar muito mais pelo lucro do Nubank do que pelo lucro do Banco Inter?

Para responder, precisamos analisar crescimento, rentabilidade, risco de crédito, eficiência e valuation.

Nubank ou Banco Inter: o que mudou após os resultados?

O segundo trimestre de 2026 foi particularmente importante para o Nubank.

Segundo os resultados divulgados pela companhia, o banco digital registrou US$ 5,88 bilhões em receita e ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão de lucro líquido em um único trimestre.

O lucro chegou a aproximadamente US$ 1,06 bilhão, crescimento de 49% na comparação anual.

Além disso, o ROE atingiu 33%.

Para quem está começando a investir, vale entender esse indicador.

O que é ROE?

ROE é a sigla para Return on Equity, ou retorno sobre o patrimônio líquido.

De forma simplificada, ele mostra quanto lucro uma empresa consegue gerar utilizando o patrimônio pertencente aos acionistas.

Imagine dois bancos com R$ 10 bilhões de patrimônio:

  • Banco A gera R$ 1 bilhão de lucro por ano.
  • Banco B gera R$ 3 bilhões.

Mantidas as demais condições, o Banco B está utilizando o capital de maneira muito mais rentável.

É por isso que o ROE é uma das métricas mais importantes na análise fundamentalista de bancos.

No caso do Nubank, um ROE de 33% ajuda a explicar por que o mercado aceita atribuir à empresa um valuation superior ao de muitos concorrentes.

O principal destaque do balanço do Nubank não foi apenas o lucro

É fácil olhar para o lucro superior a US$ 1 bilhão e concluir que esse foi o principal motivo para a disparada das ações.

Mas há outro número que merece tanta atenção quanto o lucro.

É a margem financeira ajustada ao risco.

A margem financeira ajustada ao risco do Nubank chegou a 12,4% no trimestre, enquanto o custo de crédito também mostrou melhora em relação ao trimestre anterior.

Isso é especialmente importante para um banco.

Por que a margem ajustada ao risco importa?

Um banco pode conceder empréstimos com juros muito altos e apresentar uma margem financeira aparentemente excelente.

Mas existe uma pergunta que precisa ser respondida:

quanto desse retorno permanece depois das perdas provocadas pela inadimplência?

É justamente aí que entra a margem ajustada ao risco.

Um banco que empresta a taxas elevadas, mas perde muito dinheiro com clientes inadimplentes, pode ter uma rentabilidade real bem inferior ao que a margem bruta sugere.

No trimestre, o Nubank mostrou uma melhora relevante justamente nessa relação entre retorno e risco.

Isso ajuda a entender a reação positiva da ação após o balanço.

Nubank continua crescendo em escala

A carteira de crédito do Nubank chegou a aproximadamente US$ 39,4 bilhões, avanço de 37% em 12 meses.

A companhia também se aproximou de 139 milhões de clientes entre Brasil, México e Colômbia.

É uma combinação difícil de encontrar:

escala, crescimento e alta rentabilidade acontecendo simultaneamente.

Nos primeiros anos do Nubank, boa parte da tese de investimento dependia da expectativa de que aquela enorme base de clientes seria monetizada no futuro.

Hoje a situação é diferente.

A empresa já apresenta lucro significativo e consegue mostrar ao mercado quanto essa base de clientes pode gerar de resultado.

Isso diminui uma parte importante do risco de execução.

Mas a inadimplência do Nubank ainda merece acompanhamento

O balanço foi forte, mas isso não significa que todos os riscos desapareceram.

A inadimplência entre 15 e 90 dias ficou em 4,8%.

Já a inadimplência acima de 90 dias chegou a 6,9%.

Esse segundo número merece atenção.

O Nubank vem avançando em produtos de crédito de maior rentabilidade, mas parte dessa rentabilidade adicional existe justamente porque o risco assumido também é maior.

Para o acionista, portanto, a pergunta não deve ser apenas:

“A carteira está crescendo?”

O mais importante é perguntar:

a carteira está crescendo de maneira suficientemente rentável para compensar as perdas de crédito?

No segundo trimestre, a resposta foi positiva.

Precisamos verificar se essa tendência permanece nos próximos balanços.

E o Banco Inter?

É aqui que a comparação fica especialmente interessante.

O Banco Inter não está apresentando uma operação em retração.

Pelo contrário.

A empresa entrou em 2026 mantendo a trajetória de crescimento observada nos últimos anos.

No primeiro trimestre, o Inter registrou R$ 395 milhões de lucro líquido, contra R$ 287 milhões no mesmo trimestre do ano anterior, crescimento de aproximadamente 38%.

O ROE subiu para 15,5%, enquanto a receita líquida aumentou aproximadamente 33% na comparação anual.

A carteira bruta de crédito chegou perto de R$ 50 bilhões, com crescimento de 33% em relação ao ano anterior.

Ou seja, o problema do Inter não é ausência de crescimento.

O problema está na maneira como o mercado passou a avaliar o risco associado a esse crescimento.

Por que o Banco Inter caiu tanto?

A melhor forma de compreender INBR32 é separar duas coisas:

resultado da empresa e expectativa do mercado.

A ação não precisa acompanhar o lucro trimestre após trimestre.

Uma empresa pode aumentar seu lucro e, mesmo assim, ter suas ações em queda.

Isso acontece porque a Bolsa tenta antecipar os resultados futuros.

No caso do Banco Inter, um dos principais pontos de preocupação passou a ser a qualidade da carteira de crédito.

No primeiro trimestre de 2026, a inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,1%, contra 4,7% no trimestre anterior e 4,6% um ano antes.

Ao mesmo tempo, o índice de cobertura caiu para 137%.

Esses números não significam que o banco necessariamente terá problemas graves.

Mas mostram que existe deterioração suficiente para justificar acompanhamento.

E, quando o mercado começa a desconfiar da qualidade do crédito de um banco, geralmente passa a exigir um preço menor para comprar suas ações.

O ponto sensível do crédito do Inter

Entre os produtos que passaram a receber mais atenção está o consignado privado.

Esse tipo de empréstimo possui características atraentes porque o pagamento pode ser descontado diretamente da remuneração do trabalhador.

O problema aparece quando ocorre alguma interrupção nesse mecanismo, como uma mudança de emprego.

Se o desconto deixa temporariamente de acontecer pela folha de pagamento, aumenta a possibilidade de atraso.

Para o Inter, a evolução desse produto será um dos pontos importantes dos próximos trimestres.

O banco precisa mostrar que consegue manter o crescimento da carteira sem permitir que inadimplência e custo de risco consumam os ganhos obtidos com a expansão do crédito.

Nubank x Banco Inter: comparação fundamentalista

IndicadorNubankBanco InterO que observar
ClientesCerca de 139 milhõesMais de 44 milhõesEscala e capacidade de monetização
Lucro líquido recenteUS$ 1,06 bilhão no 2T26R$ 395 milhões no 1T26Crescimento e recorrência do lucro
Crescimento do lucro+49% a/a+37,8% a/a no 1T26Ritmo de expansão
ROE33%15,5% no 1T26Rentabilidade do patrimônio
Carteira de créditoUS$ 39,4 bilhõesAproximadamente R$ 50 bilhões no 1T26Crescimento e qualidade
Crescimento da carteira+37% a/a+33% a/a no 1T26Velocidade de expansão
Inadimplência acima de 90 dias6,9%5,1% no 1T26Tendência é mais importante que o número isolado
Principal forçaEscala e rentabilidadeValuation e expansão do ROE
Principal riscoCrédito e valuation elevadoQualidade do crédito

Importante: alguns indicadores não são diretamente comparáveis porque Nubank e Inter utilizam metodologias e bases contábeis diferentes. A tabela serve como referência para a análise, e não como comparação contábil perfeita.

Os dados oficiais podem ser acompanhados diretamente nos sites de relações com investidores:

Por que o mercado paga mais pelo Nubank?

Uma ação pode parecer cara olhando apenas para o múltiplo P/L e ainda assim fazer sentido para determinados investidores.

Isso ocorre porque valuation não deve ser analisado isoladamente.

Considere novamente o ROE.

Se uma empresa consegue reinvestir seus lucros com retorno de 30% ao ano, ela possui potencial de composição de capital muito diferente de outra empresa que consegue reinvestir com retorno de 10%.

O Nubank atualmente apresenta três características pelas quais o mercado costuma pagar mais:

1. Crescimento elevado

A empresa ainda cresce receita, carteira de crédito e base de clientes em ritmo expressivo.

2. Rentabilidade elevada

O ROE chegou a 33% no segundo trimestre de 2026.

3. Escala operacional

A companhia possui quase 139 milhões de clientes e atua em diferentes mercados latino-americanos.

Essas características ajudam a explicar o prêmio.

O problema aparece quando o preço da ação pressupõe um futuro tão positivo que sobra pouca margem para erros.

Por isso, uma excelente empresa não necessariamente representa um excelente investimento a qualquer preço.

E por que o Inter negocia com desconto?

No Inter, ocorre praticamente o contrário.

A empresa continua crescendo, mas o mercado passou a atribuir um desconto maior aos resultados.

O motivo é a incerteza.

Se a inadimplência continuar subindo, o banco poderá precisar aumentar provisões.

Com provisões maiores, parte do crescimento da receita pode não chegar ao lucro.

Se o lucro crescer menos do que o esperado, o ROE também pode encontrar dificuldades para continuar avançando.

É essa sequência que o mercado tenta antecipar.

Por outro lado, existe também um cenário positivo.

Se a inadimplência estabilizar e o banco continuar aumentando receita, eficiência e rentabilidade, o desconto atual pode se mostrar excessivo.

É exatamente por isso que INBR32 continua sendo interessante para análise, mesmo depois da forte queda.

Uma ação cair 40% não significa automaticamente que ficou barata

Esse ponto é essencial para investidores iniciantes.

Imagine uma ação que custava R$ 100 e caiu para R$ 60.

Ela caiu 40%.

Isso não nos diz absolutamente nada sobre o seu valor justo.

Se a empresa valia R$ 40, a ação continua cara mesmo depois da queda.

Se a empresa valia R$ 100, então R$ 60 pode representar uma oportunidade.

A diferença entre as duas situações só aparece quando analisamos lucro, patrimônio, crescimento, risco e geração de caixa.

Por isso, evitar frases como “caiu muito, então vou comprar” pode poupar o investidor de muitos erros.

No Banco Inter, a queda abre espaço para investigação.

Não é, por si só, uma tese de investimento.

O Inter pode entregar um ROE muito maior?

Aqui talvez esteja um dos principais pontos de assimetria da tese.

O ROE do Inter melhorou de forma relevante nos últimos anos.

No segundo trimestre de 2024, por exemplo, estava em torno de 10,4%.

No primeiro trimestre de 2026, já havia alcançado 15,5%.

Existe, portanto, uma melhora operacional concreta.

A pergunta agora é até onde esse ROE pode chegar.

Se o Inter conseguir continuar reduzindo seu índice de eficiência, aumentando monetização por cliente e controlando o risco de crédito, é possível imaginar uma rentabilidade estruturalmente maior.

Nesse cenário, o valuation atual poderia ser revisto pelo mercado.

O contrário também é verdadeiro.

Se o aumento da rentabilidade depender de uma expansão de crédito que gere inadimplência cada vez maior, parte da melhora do ROE pode não ser sustentável.

A estratégia Rule of 50 do Banco Inter

O Inter também vem trabalhando com uma visão estratégica chamada Rule of 50.

A ideia é analisar conjuntamente crescimento e rentabilidade.

O conceito faz sentido porque crescimento isoladamente não cria necessariamente valor.

Uma companhia pode crescer 40% ao ano e, ao mesmo tempo, consumir capital de maneira pouco eficiente.

Da mesma forma, uma empresa pode ser rentável, mas apresentar crescimento muito baixo.

A combinação ideal ocorre quando a empresa consegue crescer mantendo boa rentabilidade.

Esse é um dos principais testes para o Inter nos próximos anos.

ROXO34 ou INBR32: qual parece melhor?

Não vejo essa comparação como uma escolha simples entre “ação boa” e “ação ruim”.

Hoje existem duas teses bastante diferentes.

Nubank: maior qualidade já comprovada

O Nubank apresenta:

  • ROE muito elevado
  • crescimento expressivo da carteira
  • enorme base de clientes
  • forte escala operacional
  • melhora recente da margem ajustada ao risco
  • lucro superior a US$ 1 bilhão em um trimestre

O investidor, porém, paga mais para ter acesso a essa qualidade.

Banco Inter: maior necessidade de execução

O Inter apresenta:

  • crescimento relevante de receita
  • lucro em expansão
  • melhora gradual do ROE
  • ganho de eficiência
  • valuation mais descontado
  • possibilidade de reprecificação caso o risco de crédito melhore

Em contrapartida, existe uma preocupação maior com a evolução da carteira de crédito.

A diferença pode ser resumida da seguinte forma:

No Nubank, o investidor paga pela qualidade que já está aparecendo nos números.

No Inter, o investidor paga menos porque ainda existe uma parcela importante de incerteza.

O que acompanhar no Nubank daqui para frente?

Não acompanharia apenas o lucro líquido.

Para avaliar se a tese continua saudável, eu observaria principalmente quatro pontos.

1. Margem ajustada ao risco

Esse talvez seja o indicador mais importante no momento.

Se permanecer em níveis elevados, significa que o Nubank continua conseguindo gerar bons retornos mesmo considerando as perdas com crédito.

2. Inadimplência acima de 90 dias

A evolução precisa ser acompanhada trimestre após trimestre.

Um aumento isolado não necessariamente representa um problema.

Uma tendência prolongada de deterioração merece mais atenção.

3. Crescimento da carteira de crédito

O Nubank continua crescendo rapidamente.

A questão é saber se conseguirá manter esse crescimento sem sacrificar a qualidade dos empréstimos.

4. ROE

Com ROE de 33%, a companhia atingiu um nível de rentabilidade muito elevado.

Manter esse patamar fortaleceria bastante a tese.

O que acompanhar no Banco Inter?

No Inter, minha lista seria um pouco diferente.

1. Inadimplência

É provavelmente o número mais importante no curto prazo.

Precisamos observar se o aumento visto na carteira se estabiliza ou continua avançando.

2. Custo de risco

Se o banco precisar aumentar provisões significativamente, isso pode consumir parte do crescimento da receita.

3. Índice de cobertura

Uma redução prolongada nesse indicador pode aumentar a percepção de risco.

4. ROE

O Inter vem conseguindo aumentar seu retorno sobre patrimônio.

No primeiro trimestre de 2026, chegou a 15,5%.

A continuidade dessa evolução é fundamental para uma eventual reprecificação.

5. Índice de eficiência

A melhora do índice de eficiência mostra que o banco está conseguindo crescer sem elevar as despesas na mesma proporção.

Quanto menor esse indicador, menor é o volume de despesas necessário para produzir receita.

O mercado estava precificando o fim do mundo?

A expressão é forte, mas ajuda a entender o comportamento das ações nos últimos meses.

Quando uma empresa passa por um período de aumento de risco, os investidores reduzem o múltiplo que estão dispostos a pagar.

Se o pessimismo aumenta muito, o mercado começa a trabalhar com hipóteses cada vez mais conservadoras.

Foi o que aconteceu com parte do segmento de bancos digitais.

O resultado recente do Nubank mostrou que algumas preocupações estavam sendo precificadas de forma mais severa do que os números acabaram justificando.

A reação da ação foi forte porque o mercado precisou ajustar rapidamente suas expectativas.

No Banco Inter, essa reprecificação ainda não aconteceu com a mesma intensidade.

O que faria INBR32 voltar a subir de forma consistente?

É impossível prever com precisão o movimento de curto prazo de uma ação.

Mas podemos identificar quais fundamentos tenderiam a melhorar a percepção do mercado.

No caso do Inter, eu acompanharia principalmente:

  • estabilização da inadimplência
  • redução do custo de risco
  • continuidade da melhora do ROE
  • crescimento do lucro acima do patrimônio
  • ganhos adicionais de eficiência
  • crescimento da receita sem deterioração excessiva da carteira

Se vários desses indicadores avançarem ao mesmo tempo, o argumento para manter um desconto muito elevado na ação fica mais fraco.

Se a qualidade do crédito continuar piorando, o mercado poderá continuar exigindo uma margem de segurança maior.

A maior lição desta comparação

Nubank e Banco Inter oferecem um excelente exemplo de algo que todo investidor deveria aprender cedo:

preço e valor são coisas diferentes.

Uma empresa pode apresentar resultados melhores e continuar com a ação caindo.

Outra pode apresentar um balanço acima das expectativas e subir mais de 10% em um único pregão.

Isso acontece porque a cotação não reage apenas aos números.

Ela reage à diferença entre o que o mercado esperava e o que realmente aconteceu.

Se todos esperam um resultado excelente e a empresa entrega apenas um resultado bom, a ação pode cair.

Se todos esperam um desastre e a companhia apresenta números razoáveis, a ação pode subir bastante.

Essa dinâmica explica boa parte dos movimentos aparentemente contraditórios da Bolsa.

Nubank ou Banco Inter: qual é a melhor ação?

Não existe uma resposta que sirva para qualquer preço e qualquer momento.

O Nubank apresenta hoje maior rentabilidade, escala e qualidade operacional comprovada, mas negocia com um prêmio justamente por isso.

O Inter oferece maior desconto e possibilidade de reprecificação, mas essa assimetria depende da capacidade do banco de controlar o risco de crédito e continuar aumentando o retorno sobre patrimônio.

O investidor que olhar apenas para a queda de INBR32 pode concluir que a ação está barata.

O investidor que olhar apenas para o crescimento do Nubank pode concluir que ROXO34 merece qualquer preço.

As duas conclusões são perigosas.

Uma análise mais completa precisa combinar quatro fatores:

qualidade do negócio, crescimento, risco e preço pago.

Conclusão

O balanço recente do Nubank ajuda a explicar a forte recuperação das ações.

A empresa ultrapassou US$ 1 bilhão de lucro trimestral, alcançou ROE de 33%, continuou crescendo sua carteira de crédito e mostrou melhora importante da margem ajustada ao risco.

São números que ajudam a sustentar o prêmio atribuído pelo mercado à companhia.

O Banco Inter vive um momento diferente.

A instituição também cresce, aumenta o lucro e melhora o ROE, mas precisa convencer o mercado de que essa expansão pode continuar sem uma deterioração relevante da qualidade do crédito.

É justamente aí que pode existir uma oportunidade, mas também onde está o principal risco.

Para quem investe pensando no longo prazo, considero mais útil abandonar a pergunta “qual ação caiu mais?” e partir para outra:

qual dessas empresas conseguirá aumentar de forma sustentável o lucro por ação nos próximos anos, e quanto estou pagando hoje por esse crescimento?

É essa relação entre lucro, risco, crescimento e valuation que diferencia uma análise fundamentalista de uma simples aposta na cotação.

Aurélio, do Arca Investe


Fontes

Este conteúdo possui caráter exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de compra ou venda de valores mobiliários. Investimentos em renda variável envolvem riscos e rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.

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